
Hoje, o post deve ser meio extenso, e ao mesmo tempo um desabafo sobre toda a história que rola em torno do nosso tão sonhado apartamento.
Então, ao som de “Pearl Jam – Betterman” vamos nessa.
Lá em meados de 2008 eu e o Tiago estávamos procurando nosso apartamento, na época decidimos comprar na planta, pois ainda não íamos casar de imediato e sairia mais barato.
Visitamos vários e vários apartamentos decorados e lançamentos por aí. Só que coincidentemente, ou não, o que nos agradou foi justamente o mais caro dos que tínhamos visto.
Mas o apartamento era realmente lindo, espaçoso, tinha uma suíte, que sempre sonhei, era tudo que nós queríamos e apesar do preço ser acima do desejado para a época, imaginamos que quem sabe em 3 anos quando ficasse pronto, nós estaríamos melhores de emprego e de dinheiro, e até lá nós conseguiríamos pagar as parcelas do financimento, caso isso não acontecesse, sempre tinha a opção de vender ele depois de pronto, ganhar um pouco com a valorização e depois comprar algum outro.
Nome do Empreendimento: Ânima Clube
Realização: PDG www.pdg.com.br / Agre
Assim foi feito, porém depois de alguns meses, naquele mesmo ano, começou a crise de 2008, não sei quem lembra disso, mas na época, o Japão ficou numa situação muito ruim com relação a empregos, muita gente que trabalhava lá há anos, voltou para o Brasil, por ter ficado sem emprego e a crise foi afetando cada vez mais o Japão, enquanto aqui no Brasil, o Lula falava que tava tudo certo, a crise era só uma marolinha, mas adivinhem onde a sortuda aqui trabalhava??? Se você respondeu “numa empresa japonesa”, acertou em cheio, e então fiquei desempregada.
Bom, com uma parcela de apartamento cara, o Tiago arcando com isso sozinho como dava, e eu sem emprego, precisando pagar as contas da casa, da minha mãe, etc, fiquei numa situação terrível em termos de dinheiro, e depois quando voltei a trabalhar, já estávamos enrolados com o apartamento, com uma certa dívida que não tínhamos condições de negociar ou pagar.
Na época eu quis cancelar o contrato do apartamento, antes que a dívida se tornasse maior, eu e o Tiago fomos até a construtora falar sobre isso, e lá, com a maior cara de pau que Deus lhe deu, a moça que nos atendeu disse que podíamos cancelar, mas que a parte que pagamos, não receberíamos nada de volta, e era bastante para aquele momento, pois ainda estávamos devendo relativamente pouco.
Bom, como ela disse isso, então resolvemos não cancelar, pensa com lógica: se não vamos receber nada de volta hoje, não vamos receber nada de volta amanhã, então tanto faz quando vamos cancelar, e quem sabe se daqui algum tempo acontece algum milagre e conseguimos pagar a dívida toda e continuar com o apartamento, então conclusão, deixa rolar a dívida, e também não vamos pagar mais a não ser que conseguíssemos o valor da dívida toda, pois qualquer quantia que pagássemos a mais, não receberíamos de volta.
E assim foi feito, e isso rolou assim por mais um ano, e essa dívida rolando e crescendo e nenhum milagre acontecia, e foi então que eu tive uma idéia que era basicamente a única que poderia salvar o nosso apartamento: Comprar uma carta de crédito contemplada de algum consórcio, e que tivesse valor o suficiente para quitar o apartamento todo.
Fui atrás disso durante dias e acabei conhecendo uma vendedora de consórcio que quando expliquei minha história, disse que era mais vantagem eu fazer um consórcio sem contemplar mesmo e que ia falar com o gerente dela para arrumarmos uma solução que eu conseguisse que esse consórcio contemplasse em até uns 3 meses e assim, pagaria meu apartamento.
Enfim, topamos arriscar, na pior das hipóteses não iria sair a tempo, mas um dia iria sair e aí comprávamos outro apartamento, se não desse para manter esse.
E os 3 meses se passaram, e nada da carta de crédito sair e começou a chegar perto da data do nosso casamento e nada de termos dinheiro para pagar tudo, aí surgiu a idéia de vender o apartamento para alguém e com o valor que já tínhamos pago dele, pagar nosso casamento.
Talvez alguns leitores mais antigos se lembrem de uma postagem sobre a venda do nosso apartamento (que eu já apaguei), conseguimos uma pessoa interessada em ficar com nosso contrato, mas no final não deu certo, porque a pessoa precisaria quitar toda nossa dívida junto à construtora para poder transferir o contrato, e dificilmente íamos arrumar alguém com essa condição, a dívida já passava dos 100.000.
Conclusão, já que não deu para vender, conseguimos outra maneira de pagar o casamento (que numa outra oportunidade eu irei contar) e decidimos que íamos manter o apto até o último minuto que pudéssemos, pois haviam atrasado a entrega, então ainda demoraria alguns meses até chegarmos nesse último minuto, e o consórcio poderia sair até lá.
Então casamos, ficamos morando na casa da minha mãe e mês a mês esperando que um milagre ocorresse e nossa carta de crédito aparecesse.
Fizemos 7 meses de casados e meu pai sugeriu que mudássemos para a casa dele até sair o nosso apto, porque ele tem mais espaço e ficaríamos melhor por mais um tempo, então resolvemos aceitar, e já estávamos numa situação meio nômade, uma semana dormindo lá, depois estava rolando reforma e dormíamos na minha mãe, e foi em uma dessas noites que dormimos na casa do meu pai que eu acordei de um sonho muito real.
Sonhei que estava na internet no site do consórcio e vi meu número lá como sorteado, e na hora nem acreditava, fui pegar meu contrato para conferir o número e realmente era, ou seja, nosso apartamento poderia ser pago!
O sonho foi tão legal, que pela primeira vez eu acreditei que dessa vez, no próximo sorteio daria certo pra nós.
Na semana seguinte, fomos convocados para a primeira reunião de condomínio do apartamento, e o Tiago não foi, eu fui e lá eles informaram que o primeiro boleto do condomínio teria vencimento em 10 de novembro de 2011. Pronto, nosso prazo final estava determinado, até esta data precisávamos conseguir pagar o apartamento ou cancelar o contrato finalmente.
E eu cheguei em casa aquele dia, depois da reunião, animada, com fé de que seríamos sorteados e aquele apartamento que tantas vezes sonhamos e tantas vezes desistimos, mas que por algum acaso do destino ainda estava em nossas mãos, seria finalmente nosso.
Eu pedi ao Tiago que me ajudasse, que acreditasse, que tivesse fé, porque eu havia sonhado que isso iria acontecer. E pedi a Deus muito, que isso acontecesse realmente, que no dia 19, quando ocorresse o sorteio, que eu olhasse lá e encontrasse o nosso número. E eu acreditei mesmo que isso iria acontecer.
No último dia 19 eu esperei o dia todo pelo sorteio, que era pela loteria federal e só aconteceria à noite. Quando deu 20:30 eu fui olhar o resultado e encontrei o seguinte:
1º 75.136
2º 76.965
3º 72.667
4º 43.714
5º 06.926
E era o nosso número, o 726 tão esperado, e eu fiquei radiante, mas ainda precisava esperar, pois se existissem os dois primeiros ou algum deles, eram eles quem tinham sido sorteados, mas eu tinha certeza que não, que era o meu número e que dessa vez era o nosso apartamento que iria se resolver.
Esperei mais dois dias inteiros pela apuração deste sorteio, e no final da tarde do dia 21 eu tive a notícia de que eram os 3 últimos dígitos que valiam, e o sorteado foi o número 136, como podem ver acima.
Eu senti uma decepção tão grande e ao mesmo tempo me senti tão idiota de ter acreditado tanto nisso, e me senti também, digamos, abandonada, como se eu não pudesse acreditar ou pedir nada, e tudo que eu conseguisse na vida teria que ser com meu próprio esforço, ou seja, aquilo que não está na minha mão e eu não posso resolver sozinha, não adianta contar com ninguëm, nem com Deus…
Talvez eu esteja errada, mas tem momentos em que eu fico sem saber o que fazer, as pessoas dizem “Você precisa ter fé, pois se tiver fé e acreditar verdadeiramente as coisas vão dar certo.”
Então é um impasse, pois se eu não acreditar, não tiver fé, não irei conseguir nada, e por outro lado se eu tiver fé e acreditar, eu vou me decepcionar grandemente quando tudo der errado.
Bom, hoje será acertado o cancelamento do meu tão sonhado apartamento, e é isso, eu só vim aqui hoje contar para vocês uma história que não deu certo.
Mas não estou tão chateada, esse apartamento se vai e vamos continuar aguardando a carta de crédito, quando ela sair, compraremos um novo apartamento e sonharemos e viveremos essa realidade novamente, agora me resta esperar, e espero que não seja por muito tempo.
Beijos da Noiva que casa e não tem casa








